domingo, 29 de abril de 2007

T R I S T E Z A




Tem dias que a tristeza
vem dissimulada...
Pega carona na brisa suave,
Chega de mansinho...
Se encontrar uma fresta,
transforma-se...
Vira furação,
Arrebenta fechaduras
Escancara todas as portas...
A alma se vê nua
Com vontade de chorar,
Desamparada,
Solitária a soluçar...
A calma chega.
Os soluços diminuem,
Olhos inchados,
Cansados.
O sono corre prá ajudar,
Mas sinto frio,
Quisera um cobertor
Prá aquecer minh´alma;
Vou procurar no sonho.
Amanhã será outro dia,
Prometo não chorar...




Izabel Dias
Publicado no Recanto das Letras em 14/05/2007
Código do texto: T486466

3 comentários:

Anônimo disse...

Que linda poesia.
também me sinto assim algumas vezes. Você escreve muito bem, gostei mesmo.Beijo

Silvânia Sávia disse...

Izabel,
Como você, através de seus versos, consegue exprimir um sentimento, tal-qual ele nos vem! É impressionante o que vejo aqui... A tristeza chegando, transformando-se, escancarando a nossa alma, o choro desesperado, os soluços... Depois um "decrescendo"... Final de esperança, de um novo dia... Maravilhoso!

Tadeu disse...

Essa poesia é uma demonstração delicada, forte, sentida e bem exposta de um estado d'alma de tristeza e angústia. Mas você contorna isso, com a precisão de tua inteligência, trazendo a renovação da esperança, que a magia de uma nova manhã sempre nos promete. Poema adulto, construído pela qualidade e competência de quem sabe lidar com o lirismo.